ENTENDENDO AS ESTEREOTIPIAS

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Estereotipias motoras (CID-10) ou Transtorno de movimento estereotipado (DSM-IV) é um transtornos comportamental e emocional com início habitualmente durante a infância ou a adolescência e caracterizado por movimentos intencionais, repetitivos, esteriotipados, sem finalidade (frequentemente ritmados), não associados a outro transtorno psiquiátrico ou neurológico identificado

As estereotipias são respostas repetitivas que visam exclusivamente a auto estimulação, isto é, a criança se estimula sozinha para buscar sensações físicas prazerosas e uma regulação sensorial do organismo.

Estas respostas tendem a atingir frequências altíssimas, afinal, cada ocorrência é automaticamente reforçada pela produção imediata de sensações físicas prazerosas. O grande problema gerado por esta alta frequência de comportamentos repetitivos é que, enquanto a criança está engajada nestas respostas, ela está respondendo apenas a estímulos internos de seu corpo e não ao ambiente externo, ou seja, ela está perdendo oportunidades de aprendizagem e interação social, que são fundamentais para o seu desenvolvimento e adaptação ao ambiente em que vive.

Os exemplos mais comuns de estereotipias observadas em crianças são: necessidade exacerbada de movimento,  flapping (movimento de balançar as mãos), rocking (balanceio), pular na cama, sofá, no chão, na frente da TV,  girar sobre o próprio eixo; olhar objetos que giram; movimento repetitivo para frente e para trás; correr sem função ou objetivo claro; andar na ponta dos pés; bater a cabeça, morder-se, movimentar dedos e mãos na frente dos olhos, etc.

O surgimento de estereotipias no repertório comportamental tem três grandes causas.

A primeira causa é a restrição comportamental, ou seja, as dificuldades em aprender comportamentos sociais, verbais e de brincar levam a um repertório restrito. Por isso, a criança ocupa seu tempo com os poucos comportamentos aprendidos e que geram prazer. Com isso, os padrões de busca de prazer do bebê, que são meramente sensoriais, perduram até idades nas quais a criança já deveria se socializar.

A segunda causa é a alteração sensorial. As crianças podem apresentar alterações orgânicas que afetam a recepção e a decodificação de estímulos sensoriais. Com isso, estes estímulos podem afetar de forma exagerada ou diminuída; gerando muito prazer ou extrema aversão.

A terceira explicação para estas respostas é a tendência à repetição, que é aí sim é uma característica inerente ao diagnóstico autista. Mudanças e situações novas geram medo, ansiedade, irritabilidade e podem evocar comportamentos disruptivos.

Para melhorar o repertório comportamental é importante ensinar habilidades nas áreas do brincar (habilidades sociais, verbais e motoras envolvidas nas brincadeiras funcionais e que geram interação social); atividades de vida diária (higiene e autonomia); comunicação (comportamentos verbais vocais ou por troca de pistas visuais); e habilidades acadêmicas (leitura, escrita, conceitos matemáticos, etc.).

A resposta estereotipada também passa, com o tempo, a produzir outros reforçadores como conseguir a atenção social das pessoas. Os adultos tendem a dar broncas, falar para a criança parar de fazer isso, fazer contato físico para bloquear estas respostas, etc. Estas consequências também podem fortalecer muito as estereotipias porque a criança conseguiu o que queria: chamou a atenção para si e ficou com o adulto só para ela e não precisa mais se socializar com outras crianças.

Para isso, precisamos combinar diversas estratégias. Uma delas é o reforço diferencial, ou seja, precisamos reforçar positivamente (com elogios, atenção e acesso a itens de interesse) os comportamentos adequados e funcionais ensinados nas diversas áreas do desenvolvimento. Paralelamente, é preciso retirar as consequências reforçadoras dos comportamentos inadequados. Logicamente, só poderemos retirar as consequências sobre as quais temos controle, ou seja, não dar atenção, não falar sobre estes comportamentos, etc.

Para tentar minimizar os reforçadores automáticos (sensações físicas prazerosas), é preciso bloquear as estereotipias o máximo possível. A melhor forma de fazer isso não é simplesmente segurando as mãos da criança e impedindo-a de balançá-las, isso seria extremamente aversivo e poderia, inclusive, reforçar a resposta devido ao contato físico.

Então, a melhor forma de bloquear as estereotipias é redirecionando a atenção da criança para outra atividade de seu interesse, de preferência outra atividade que seja incompatível com a estereotipia, ou seja, que utilize a mesma parte do corpo. Por exemplo, se a criança está balançando as mãos (flapping) podemos apresentar um jogo e quebra-cabeça que ela adore e começar a montar na frente dela, para atraí-la espontaneamente.

Podemos, ainda, oferecer uma peça do jogo para ela encaixar. Assim que a criança se engajar no jogo ela vai parar a estereotipia, afinal não é possível fazer as duas coisas ao mesmo tempo.

Diagnóstico diferencial

Esses comportamentos repetitivos  e estereotipados surgem em idade precoce por volta de 1 ano e meio em diante   e podem ser sintoma de outras doenças, transtornos ou síndromes, como por exemplo: Transtorno do Espectro Autista, Deficiência Intelectual, Síndrome de Tourette, Transtorno Obsessivo Compulsivo, Problemas Neurológicos, dentre outros. Portanto a criança precisa ser avaliada por um Neurologista Infantil o quanto antes.

Lembrando que as estereotipias são diferente de tiques nervosos!

Segundo a Sociedade Brasileira e Portuguesa de Pediatria definem:

Tiques são movimentos (chamados tiques motores) e/ou sons (tiques fônicos ou vocais) breves, repetidos, sem objetivo nem propósito claro, por vezes socialmente desadequados e embaraçosos. Variam em gravidade de criança para criança e também ao longo do tempo, sendo intensificados nas situações de ansiedade e nervosismo.

São relativamente frequentes (cerca de 1 em cada 10 crianças em idade escolar), mas igualmente mal interpretados e até ridicularizados, quer por adultos, quer por outras crianças.

Exemplos de tiques motores: torcer ou coçar o nariz, piscar os olhos, fazer caretas, tocar repetidamente em partes do corpo, objetos ou noutras pessoas, saltar.

Exemplos de tiques vocais: limpar a garganta, dar estalinhos com a língua, fungar, grunhir, ou em situações mais raras palavras e/ou frases fora de contexto (incluindo obscenidades).

Associam-se a ansiedade e desconforto interior, que aliviam após a concretização do tique. Por este motivo, quando são impedidos de se manifestarem deixam a criança inquieta, tensa e nervosa.

São involuntários, ou seja, a criança não os realiza deliberadamente nem tem controle sobre o momento em que ocorrem ou a sua intensidade, surgindo também durante o sono. Podem, contudo, ser suprimidos por breves períodos, à custa de um importante e progressivo aumento da ansiedade, até que sejam de novo realizados.

Geralmente começam por volta dos 6 anos de idade, muitas vezes de forma súbita e têm tendência a melhorar até ao final da adolescência.

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Marina S. R. Almeida

Consultora Ed. Inclusiva, Psicóloga Clínica e Escolar

Neuropsicóloga, Psicopedagoga e Pedagoga Especialista

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