COMO OS PAIS E PROFESSORES PODEM CONVERSAR SOBRE A MORTE

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Descubra como conversar sobre A MORTE com as crianças. Separei por faixa etária como se deve conversar com as crianças sobre assuntos polêmicos como: morte, separação dos pais, doença por parte da criança ou de algum parente e como apoiar a criança nos momentos difíceis.

Do nascimento até os 3 anos:

A percepção da criança: o bebê ou a criança percebe ou sente quando há a sua volta excitação, tristeza, ansiedade; percebe quando falta uma pessoa significativa ou a presença de pessoas novas ou estranhas ao ambiente familiar, porém ainda não possui recursos para compreender a morte, mas absorve as emoções daqueles que o rodeiam e pode mostrar sinais de irritabilidade, mudanças nos seus hábitos alimentares ou sono. Às vezes, se já adquiriu o controle dos esfíncteres, pode haver uma recaída e a criança pode fazer xixi ou cocô na cueca ou na calcinha por ficar um pouco regredida e desejar ficar mais perto dos seus cuidadores. Depende muito da comunicação não verbal e verbal dos adultos, do cuidado físico, do afeto e a criança precisa ser reassegurada que os adultos estão bem, mas tristes no caso de morte de alguém.

Explicar a morte de um ente querido nesta fixa etária é ainda um elaborado como um pensamento mágico para a criança. Falar que a pessoa que morreu virou estrelinha, anjo, foi morar com o papai do céu é uma boa saída, mas afirmar também que esta pessoa vai morar para sempre no coração da criança a deixa mais segura.

Explicações muito rebuscadas, religiosas demais e ou omissão sobre a morte na família leva a criança a ficar com medo, ansiosa, com fantasias distorcidas, sendo assim a criança não entenderá se tudo for falado de forma cientifica ou racional, ou poderá ficar muito insegura se omitirem o fato ocorrido.

O tipo de apoio que pode ser oferecido é de manter as rotinas e a estrutura familiar sempre que possível. Se por alguma razão os pais precisam se afastar, é importante escolher uma babá ou alguém da família que seja afetivo e que possa oferecer contato físico com a criança. Esclarecer sempre que possível à razão pela qual os pais estão tristes e porque as pessoas choram e precisaram se afastar.

Se a criança frequenta o maternal ou Educação Infantil, os professores podem e devem orientar os pais, fazendo uma reunião com todos explicando o processo de elaboração do luto das crianças. Também podem falar para os coleguinhas sobre o momento que a criança está passando. Existem livrinhos infantis muito bons que ajudam na elaboração da criança nestes momentos de luto, como o livro “História de uma folha” do autor Léo Buscaglia, da editora Record.

Dos 3 aos 6 anos:

A percepção da criança: A criança acha que a morte é reversível, temporária, que a pessoa que faleceu voltará a qualquer momento. Nesta fase a criança é regida pelo que denominamos o pensamento mágico e egocêntrico: ela pensa que suas ações, sentimentos ou palavras são como varinhas de condão. As crianças dessa faixa etária acreditam que a morte pode ser vista como um castigo devido a um mau comportamento.

A criança sente o impacto das emoções dos seus pais e irmãos; e frequentemente o não dito o afeta provocando regressões, como fazer xixi na cama, chupar o dedo, segurar um paninho, etc.

Geralmente nessa etária os filhos têm dificuldade de expressar seus sentimentos verbalmente e consequentemente o faz através de ação; pode ficar mais agressivo, irritado ou impaciente quando brinca.

Perguntará as mesmas perguntas sobre o desaparecimento da pessoa muitas vezes, pois ele está se esforçando para adquirir recursos para compreender o conceito de morte, de perda. Pode exibir tristeza em alguns momentos; também sintomas somáticos, constipação, dor de barriga e irritações na pele. Também pode demonstrar uma intensificação da sua necessidade de contato físico, mesmo de pessoas estranhas. Às vezes associa fatos quem não tem relação; ou pode mostrar ansiedade se pensa que a pessoa que morreu pode voltar como um “fantasma”.

É importante oferecer oportunidades para que a criança possa desenhar ou pintar e expressar seus afetos, também de ler livros sobre histórias que falem da morte ou de perda de algum personagem ou herói.

Ajudar a criança a identificar o que está sentindo, traz conforto para ela e também a ajuda a expressar seus sentimentos através da fala. É fundamental ser honesto e admitir que às vezes não tenhamos resposta para certas perguntas.

Na escola, os professores podem tocar no assunto, e explicar aos coleguinhas que a criança está passando por um momento triste, que precisa de cooperação e paciência. Podem ser realizadas reuniões com os pais para esclarecimento de condutas/comportamentos. É importante explicar os fatos de forma concreta, não utilizar eufemismos e dar esclarecimentos sobre a realidade física da morte confrontando-a com seu pensamento mágico, suavemente.  Os pais precisam verificar que a criança não se sinta responsável pela morte e precisam ser pacientes com os comportamentos regressivos ou infantis que ela possa apresentar. A criança tentará imitar as atitudes dos pais em relação como lidam com a perda, a dor, o sofrimento. Então é importante evitar os clichês, como “você pelo menos tem outro irmão”, “sempre podemos comprar outro animal de estimação”, pois eles revelam uma atitude muito “prática” de tentar apagar ou que aconteceu e substituir com um outro prazer “tampando” a emoção. Dizer que a “mãe foi dormir”, ou “Deus levou a vovó”, pode confundir a criança são posturas que podem ser evitadas.

Dos 6 aos 9 anos:

A percepção da criança: Algumas crianças começam a entender as causas objetivas da morte, algumas ainda não. Ainda podem ver a morte como um espírito que vem para levar a pessoa; pode pensar que a morte é contagiosa e ela pode morrer também. A criança se seduz por o tema de mutilação e mostra curiosidade em relação ao aspecto do corpo morto.

Pode associar a morte com violência, devido a isto frequentemente pergunta “Quem o matou”? Cria categorias em relação a quem pode morrer: os mais velhos e os que apresentam deficiências.

Nesta fase se preocupa com o que acontece com os mortos, como vivem, comem e respiram. Mesmo neste momento pode apresentar ansiedade e ter dificuldade de expressar suas emoções e sentimentos de desamparo. Pode apresentar diferentes sintomas transitórios como fobias, regressões, psicossomatizações. Se os pais não trabalharem esses sintomas, eles podem perpetuar se por mais tempo.

Neste período a criança se sente acompanhada se os adultos conversam com ela e a ajudam a identificar seus sentimentos, a esclarecer suas percepções e fantasias. Oferecer chances para que a criança possa desenhar e pintar e soltar sua criatividade em relação ao tema e seus sentimentos. É fundamental que a criança possa fazer isto livremente, sem receber críticas em relação a sua “obra”. Ajudar a criança a controlar seus impulsos pode aliviá-la no controle da sua dor.

Ter mais tempo para ouvir os sonhos da criança e lembrar à criança de tudo aquilo que era positivo da pessoa ou animal que perdeu. Ter fotos pode ser algo interessante. É importante que os pais e a escola se comuniquem, e que os professores saibam o que está acontecendo na família para que possam se tornar colaboradores nesta fase.

Dos 9 aos 13 anos:

A percepção da criança: À medida que passa o tempo a criança tem mais recursos mentais e emocionais para compreender as causas da morte. Agora se preocupa com o fato de como vai mudar sua vida com a perda da pessoa, do relacionamento. Apresenta resistência a se abrir e falar de suas emoções.

No inicio pode parecer que ela não se importa com o que aconteceu, que ignora os eventos, que faz de conta que não houve morte. Os sentimentos de angustia e tristeza demoram a aparecer, e ela pode ter uma tendência a se isolar. Começa a mostrar interesse em rituais religiosos.

Nesta fase se for um dos seus pais que faleceu, a criança pode querer assumir as responsabilidades do falecido e tomar seu lugar para ajudar e aliviar a tristeza de quem ficou. Isto se torna um peso e causa de futuras somatizações e conflitos.

Estimule a discussão sobre o tema da morte, tanto em casa como na escola. Aproveite mortes de outros, pessoas famosas, conhecidas para mostrar como estes processos são parte da vida. Ofereça modelos de pessoas que passaram por momentos difíceis. É importante ser paciente com as crianças se resistem a fazer suas lições de casa, se apresentam distraídos ou desligados, tente compartilhar seus sonhos e fantasias.

Ajudar os filhos ou os alunos a superar as dificuldades, mesmo na tenra infância é tarefa de pais e educadores, pois desta forma eles poderão oferecer meios para que as crianças construam seus recursos internos para enfrentar as dificuldades do mundo adulto e tornarem-se pessoas com capacidade para lidar com suas emoções e criar a empatia para lidar com as dos outros.

Entre em contato comigo e agende uma entrevista:

Marina S. R. Almeida

Consultora Ed. Inclusiva, Psicóloga Clínica e Escolar

Neuropsicóloga, Psicopedagoga e Pedagoga Especialista

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