PREVENÇÃO E CONSCIÊNCIA DO SUICÍDIO EM PESSOAS AUTISTAS

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Setembro é considerado o “Mês Nacional de Prevenção ao Suicídio” em alguns lugares ao redor do mundo, inclusive no Brasil. Ao discutir saúde mental e suicídio, é importante incluir pessoas autistas na conversa, pois um número impressionante de autistas vivem traumas graves.

Trauma é quase universalmente encontrado dentro da comunidade autista, tragicamente. As sementes do trauma são plantadas na infância e crescem e brotam à medida que crescemos. O trauma geralmente se agrava e, na adolescência, muitos de nós enfrentamos algum tipo de grande desafio de saúde mental.

A depressão, ansiedade e estresse pós-traumático são mais comuns entre pessoas autistas. Mas muito mais perturbador do que isso, é a prevalência de ideação suicida e tentativas subsequentes em na comunidade autista.

Mais da metade das pessoas autistas experimentam pensamentos suicidas. A expectativa média de vida dos autistas é, tragicamente, de apenas 38 anos. Uma das principais causas de morte? Infelizmente o suicídio.

Os desafios das pessoas autistas estão no ciclo de mascarar, de camuflar a verdadeira identidade, desejando ser alguém que não é – muitas vezes levando a síndrome de impostor.

A medida que pessoas neurotípicas, profissionais de saúde, educação, tentam transformar pessoas autistas em neurotípicas (capacitismo) impedem o desenvolvimento do verdadeiro eu da pessoa autista; por seu turno, pessoas autistas acabam utilizando a imitação social de forma intensa (masking ou camuflagem) para obterem uma adaptação social, aceitação e ou esconderem suas estereotipias, contudo este comportamento impede a possibilidade de crescerem respeitando sua essência, seu verdadeiro self. Contudo, acabam desenvolvendo um falso self.

Desta maneira socialmente imposta, pessoas autistas são alienadas. Sentem-se pressionadas a se “encaixar” em algum lugar. E quando não o fazem, começam a se questionar do seu próprio valor e existência.

O maior equívoco sobre o autismo é a ideia de que pessoas autistas não tem empatia. Que não podem sentir. Pessoas autistas possuem déficits nos seus repertórios emocionais (habilidades da inteligência emocional) levando aos déficits na capacidade de empatia, não sabem nomear o que sentem, portanto bem diferente do que afirmar que pessoas autistas são frias e não tem empatia.

Pessoas autistas sentem emoções – como profunda compaixão, paixões intensas, sensibilidades sensoriais, além da capacidade de hiperfocar e aprimorar talentos em certas áreas criativamente – às vezes até num nível muito sensível. E embora não seja fácil entender os processos de pensamento de pessoas neurotípicas, pessoas autistas podem captar emoções.

Outro equívoco é afirmar que pessoas autistas não desejam se socializar. Nós seres humanos somos espécies sociais. Alguns são introvertidos, outros extrovertidos. Alguns são menos sociais do que outros. Mas praticamente todos os seres humanos têm uma necessidade biológica, social e psicológica de estabelecer conexões com outras pessoas.

Muitas pessoas autistas relatam ou confidenciam que se sentem sobrecarregados com o estado do mundo, exigente e pouco receptivo. Tanta luta, conflito, competição, indiferença para a vida. Esta é uma das descrições da demografia de pessoas autistas que muitas vezes, se indignam também com a injustiça trágica da vida, faltas éticas, mentiras, hipocrisia social, este vértice de contexto social, por vezes, pode ser demasiado opressor para elaboração de uma pessoa autista.

Pesquisas apontam que o índice de suicídio em pessoas autistas tem como contribuição o uso excessivo de mascaramento/imitação ou camuflagem social.

Esconder quem você é, suprimir seu estado natural de ser – é agonizante. Ter que viver com medo constante do ridículo, da vergonha, da humilhação e da opressão não é maneira de viver.

Muitos autistas chegam a essa conclusão e decidem que a vida pode não ser tudo o que deveria ser. Acabam se sentindo sozinhos, não encontram profissionais especializados em autismo (especialmente especialistas em autistas adultos), não encontram pessoas acolhedoras ou pessoas que os compreendam, há um sentimento de inadequação generalizada, ficam deprimidos e perdem a esperança.

O bullying, negligência emocional, opressão sistêmica, violência psicológica ou física, assédio moral, assédio sexual e no trabalho, excesso de trabalho são fatores exponencialmente agravados em pessoas autistas.

Por isso o suicídio tem múltiplos fatores associados. Não é apenas um reducionismo de estado de saúde mental psicopatológico.

A oferta de serviços e suporte para ajudar pessoas neurodivergentes é crucial. Isso pode incluir formas mais saudáveis de terapia de conversação e apoio à saúde mental, acomodações de acessibilidade, igualdade de acesso aos cuidados de saúde, educação, lazer, moradia e laboral. Uma expansão fundamental se faz necessária, respeito aos direitos humanos universais, proteções legais e sociais.

Mas além disso: Respeito, bondade, empatia, compaixão e compreensão deveriam ser obrigatórios para qualquer relacionamento humano. Infelizmente, isso nem sempre acontece, contudo não quer dizer que todas as pessoas e profissionais possam ser insensíveis.

Eu estou aqui fazendo minha parte amorosa como pessoa neurotípica e Psicóloga Especializada em Autismo em Adultos. Há 36 anos defendendo e atendendo em minha clínica pessoas neurodiversas.

Sendo assim registro minha mensagem: Apoie pessoas neurodiversas, pessoas autistas, ame-as. Faça o melhor que puder.

Você que está passando por um momento difícil: Tenha fé em você acima de tudo, mantenha seu amor-próprio, tudo na vida é passageiro e temporário, as situações difíceis também vão passar.

  • Procure ajuda se estiver com pensamentos ruins ou ideação suicida.
  • Procure ajuda de seus amigos.
  • Ligue para seu profissional que o acompanha.
  • Procure seus parentes ou pais.
  • Ligue 188 para o CVV em caso de urgência: O CVV – Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, e-mail e chat 24 horas todos os dias. https://www.cvv.org.br/
  • Pode falar da UNICEF: O Pode Falar é um canal de ajuda em saúde mental para você que tem de 13 a 24 anos. https://www.podefalar.org.br/

A Psicóloga Marina Almeida é especialista em Transtorno do Espectro Autista. Realizo psicoterapia online ou presencial para pessoas neurotípicas e neurodiversas.

Realizo avaliação neuropsicológica online e presencial para diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista em Adultos e TDAH.

Agende uma consulta no WhatsApp (13) 991773793.

Marina S. R. Almeida – CRP 06/41029

Consultora Ed. Inclusiva, Psicóloga Clínica e Escolar

Neuropsicóloga, Psicopedagoga e Pedagoga Especialista

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