ESTERIÓTIPOS DE GÊNERO MENINO USA AZUL E MENINA USA ROSA

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Segundo a Profa. Dra. Maria Alice D Amorim, da Universidade Gama Filho do Rio de Janeiro, nos explica que ao estudar estereótipos de gênero é necessário definir primeiro o que vem a ser o papel de gênero.

O primeiro passo neste sentido é o de tornar claros conceitos de sexo e gênero.

O termo sexo está ligado à composição cromossômica do indivíduo e ao tipo de aparelho reprodutor dela resultante. O seu significado foi, porém, alargado de modo a abranger características intrapsíquicas e comportamentais, consideradas típicas de homens e mulheres.

O que se verifica é que, embora se fale de diferenças de sexo ao nos referirmos a determinados traços de personalidade, estamos, na verdade, utilizando um construto simbólico de caráter social, cuja base são os valores do grupo. Esta confusão levou os autores mais recentes a preferirem o termo gênero, ao falarem de aspectos psicológicos e comportamentais; a distinção torna menos provável a atribuição sistemática das diferenças encontradas entre mulheres e homens a fatores biológicos.

Chegamos assim à definição do gênero como a soma das características psicossociais consideradas apropriadas a cada grupo sexual, sendo a identidade de gênero o conjunto destas expectativas, internalizado pelo indivíduo em resposta aos estímulos biológicos e sociais (Unger, 1979).

O construto de identidade de gênero é visto atualmente como o conjunto das crenças, atitudes e estereótipos do indivíduo; Katz (1986) o explica a partir de seus antecedentes biopsicossociais e de sua influência sobre o comportamento. Steines e Libby, (1986) afirmam que o papel de gênero pode sofrer duas interpretações; na perspectiva tradicional o gênero é um tipo de papel com apenas duas categorias – masculino ou feminino.

Como as pessoas acham que os homens e as mulheres devem comportar-se?

Como as pessoas acham que se comportarão mulheres e homens?

Como, na realidade, se comportam os homens e as mulheres?

Estas três dimensões do papel de gênero a prescritiva, a preditiva e a observável, têm sido muito estudadas, constituindo a primeira a base dos estereótipos de gênero.

O segundo enfoque no estudo dos papéis de gênero focaliza os inúmeros papéis sociais que podem ser exercidos por pessoas de ambos os sexos tais como o de trabalhador, cônjuge e genitor, procurando verificar até que ponto o gênero do indivíduo introduz diferenças no exercício destes papéis.

Alguns papéis são particularmente sensíveis à influência do gênero, dadas as expectativas do grupo e da própria pessoa, para a maneira “correta” de exercer o papel em questão. Este enfoque busca situações específicas, já que é através delas que melhor se pode constatar as diferenças na expectativa social.

Portanto, a autora descreve que a sociedade e a cultura vai nos modelando em perspectivas de comportamentos e características para nos definir se somos, homens ou mulheres, se temos uma orientação sexual heterossexual, bissexual, homossexual, dentre outras possibilidades; baseando-se nas características pré estabelecidas numa determinada sociedade e cultura que cria papéis sociais definidos e aceitos.

Um estereótipo é uma crença que atribui características específicas aos membros de um grupo, geralmente de forma arbitrária, com base em ideias compartilhadas e, embora sem qualquer base, comumente aceitas. Por exemplo, meninos só podem usar roupas azuis, brincar de carrinho e bola; meninas só podem usar roupas rosa, brincam de casinha e bonecas. Se sair desta lógica imposta culturalmente e socialmente, criam-se os estereótipos, por exemplo, o menino que brinca de boneca será efeminado, e caso apresente algum tipo de  maneirismo feminino a explicação será “isso é influência de gays e lésbicas” ; a menina que brinca de futebol e veste shorts será masculinizada. São verdades fundamentadas numa cultura machista, homofóbica, estereotipada baseada em categorias comportamentais sócio culturais.

Os estereótipos de gênero referem-se às crenças fortemente arraigadas na sociedade sobre como eles são, ou deveriam ser, as mulheres e os homens. São crenças que ditam os papéis que homens e mulheres devem desempenhar na sociedade a que pertencem. Um problema que pode começar desde o nascimento, criando os arquetípicos de azul para meninos e rosa para as meninas.

Características que definem os estereótipos de gênero:

  • Os estereótipos têm características definidoras, que nos alertam com antecedência sobre os problemas que acarretam.
  • Eles são compartilhados por muitas pessoas.
  • Eles não estão cientes.
  • Eles atribuem características, atitudes ou comportamentos claramente diferentes para cada gênero.

A maioria das pessoas determina inconscientemente o papel que homens e mulheres devem desempenhar. Por ser uma atitude inconsciente, dificilmente será corrigida, pois você só pode combater o que está ciente. Por serem compartilhados por muitas pessoas, os estereótipos adquirem força e credibilidade, como se fossem uma prova irrefutável.

Classificação de estereótipos de gênero

Qualquer estereótipo é, por definição, irracional e perigoso e, portanto, pode ser considerado negativo. Considerando isso, ainda podemos classificar os estereótipos como positivos, negativos ou neutros:

  1. Estereótipos positivos. Seriam aqueles que supõem características positivas em um determinado gênero, como: “as meninas são melhores”.
  2. Estereótipos neutros. Seriam aqueles que assumem características sem nenhum julgamento de valor, nem positivo nem negativo; por exemplo: “Os alemães são louros”.
  3. Estereótipos negativos. Seriam aqueles estereótipos que atribuem a um gênero características cujo valor é negativo. Por exemplo: “as meninas não são boas em esportes”.

Qualquer estereótipo, independentemente de suas características, é irracional e pode ter consequências negativas graves para os afetados.

Os estereótipos de gênero definem o papel de uma pessoa a partir de seu sexo e, com isso, vão estabelecendo os objetivos sociais e as expectativas de homens e mulheres. 

Desta forma, marca-se uma evolução e um desenvolvimento diferenciados desde a infância, o que dá origem a situações de desigualdade e discriminação.

Nesse processo, não importa se é um estereótipo positivo, negativo ou neutro, pois da mesma forma marcará as atitudes futuras de ambos os sexos.

As meninas vão ser boas, carinhosas, preocupadas com o trabalho doméstico, não muito atlética e em vez disso as crianças serão ativas, travessas, esportivas, bagunceiras etc. Essas características serão atribuídas a eles com uma confiabilidade tão grande que não deixará dúvidas.

Os estereótipos são tão confiáveis que serão assumidos com incrível passividade por ambos os sexos desde a mais tenra infância. E quem quer que em um ato de bravura não seja pego em estereótipos de gênero será riscado e rotulado por outros.

Estereótipos de gênero mais comuns de gênero masculino:

Estabilidade emocional

Agressividade

Objetividade e racionalidade

Dinamismo

Personagem dominante

Coragem

Habilidades intelectuais e esportivas

Força

Franqueza

Eficácia

Tendência ao risco e aventura

Aptidão para a ciência 

Por outro lado, os estereótipos femininos mais comumente usados seriam:

Instabilidade emocional

Intuição

Falta de controle sobre si mesmos e seus estados emocionais

Frivolidade

Passividade

Irracionalidade

Ternura

Submissão, dependência, fraqueza

Habilidades de alfabetização e atividades manuais

Tomar conta de crianças

Apenas cuidar da família, e afazeres domésticos

Cabe a todos nós como pais, profissionais, cidadãos de bem ter a liberdade de exercer nossos comportamentos e formas de expressar nossa identidade social e de gênero refletindo a nós mesmos, para tanto há necessidade de começarmos em nosso lar, na escola, transformar nossa sociedade cada vez mais democrática, dialógica, aonde haja soberania dos valores afetivos, da empatia, da capacidade de respeitar ao próximo e ter solidariedade.

Finalizo com uma frase do educador Prof. José Pacheco:

“A educação é incompatível com adestramento e a organização autoritária da vida”

Fonte: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-389X1997000300010

Marina S. R. Almeida

Consultora Ed. Inclusiva, Psicóloga Clínica e Escolar

Neuropsicóloga, Psicopedagoga e Pedagoga Especialista

Licenciada no E-Psi pelo Conselho Federal de Psicologia para atendimento de Psicoterapia on-line

CRP 06/41029

Agendamento para consulta presencial ou consulta de psicoterapia on-line:

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