EFEITOS DO FOMO (FEAR OF MISSING OUT): A ANSIEDADE GERADA PELA SENSAÇÃO DE QUE OS OUTROS ESTÃO VIVENDO EXPERIÊNCIAS MELHORES

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O FOMO (Fear of Missing Out) é um fenômeno psicológico caracterizado pela ansiedade decorrente da percepção de que outras pessoas estão vivenciando experiências mais gratificantes, interessantes ou socialmente valorizadas.

Intensificado pelas redes sociais, o FOMO tem sido associado a sintomas de ansiedade, baixa autoestima, dependência digital e prejuízos na saúde mental.

Este artigo analisa o FOMO a partir da Psicanálise Contemporânea, articulando evidências empíricas recentes sobre seus impactos emocionais e comportamentais.

Discute-se como a lógica comparativa das redes sociais reforça mecanismos de idealização, narcisismo e compulsão, alterando a dinâmica subjetiva e contribuindo para estados de angústia e desamparo.

Introdução

O avanço das tecnologias digitais e a popularização das redes sociais transformaram profundamente as formas de interação e construção da subjetividade.

Nesse cenário, emerge o FOMO (Fear of Missing Out), definido como o medo ou ansiedade de perder experiências sociais significativas ou prazerosas vividas por outras pessoas.

O FOMO é um fenômeno que envolve dimensões culturais, inconscientes e neurobiológicas, exigindo abordagens integradas de cuidado e educação digital crítica.

Pesquisas recentes apontam que o FOMO está associado a sintomas de ansiedade, depressão, insatisfação com a vida e uso compulsivo de redes sociais (Przybylski et al., 2013).

A Psicanálise Contemporânea, ao dialogar com a cultura digital, oferece ferramentas conceituais para compreender como o FOMO se articula com mecanismos inconscientes, especialmente aqueles relacionados ao narcisismo, à comparação social e à busca incessante por reconhecimento.

FOMO: Definições, Características e Evidências Recentes

O FOMO é caracterizado pela sensação persistente de que outras pessoas estão vivenciando experiências mais interessantes, prazerosas ou socialmente valorizadas, gerando ansiedade, frustração e necessidade compulsiva de monitorar redes sociais (Przybylski et al., 2013).

Estudos recentes mostram que o FOMO está associado a:

  • Aumento da ansiedade e da ruminação;
  • Baixa autoestima e insatisfação corporal;
  • Dependência digital e uso compulsivo de redes sociais;
  • Prejuízos no sono e na concentração;
  • Maior vulnerabilidade a sintomas depressivos.

Pesquisas brasileiras apontam que adolescentes e jovens adultos são os mais afetados, especialmente aqueles com maior exposição a conteúdos comparativos e idealizados nas redes sociais (Veiga; Rios; Santos, 2026).

Redes Sociais, Imediatismo e a Química Cerebral

As redes sociais operam por mecanismos de reforço intermitente, ativando circuitos dopaminérgicos responsáveis pela sensação de recompensa.

A exposição contínua a imagens idealizadas e experiências supostamente perfeitas intensifica a comparação social e reforça a busca compulsiva por validação.

O FOMO, nesse contexto, emerge como resposta emocional ao desequilíbrio entre o desejo de pertencimento e a percepção de inadequação. A química cerebral é modulada por notificações, curtidas e atualizações constantes, que produzem microdescargas de dopamina e reforçam comportamentos de vigilância digital.

Embora a psicanálise não se restrinja ao campo neurobiológico, ela reconhece que tais estímulos intensificam estados de angústia e compulsão, articulando-se com mecanismos inconscientes de idealização e rivalidade.

A Perspectiva da Psicanálise Contemporânea

A Psicanálise Contemporânea compreende o FOMO como manifestação de angústia diante da possibilidade de exclusão simbólica.

O sujeito digital vive em constante comparação com imagens idealizadas, que funcionam como objetos de desejo e modelos narcísicos inalcançáveis.

O FOMO revela:

  • Fragilidade na constituição narcísica;
  • Dificuldade de lidar com a falta e com o tempo subjetivo;
  • Necessidade compulsiva de reconhecimento;
  • Angústia diante da possibilidade de não pertencer.

A lógica das redes sociais reforça o “gozo do outro”, conceito lacaniano que descreve a sensação de que o outro possui algo que falta ao sujeito. Essa percepção intensifica a angústia e alimenta comportamentos compulsivos de checagem, postagem e hipervigilância.

Além disso, o FOMO pode ser compreendido como tentativa de tamponar o vazio subjetivo, evitando o encontro com o desejo próprio, que exige elaboração e tempo.

Implicações Clínicas e Sociais

Do ponto de vista clínico, o FOMO exige abordagens que integrem psicoeducação, análise dos mecanismos inconscientes e estratégias de regulação emocional.

Intervenções que promovem consciência crítica sobre o uso das redes sociais têm demonstrado eficácia na redução da ansiedade e da comparação social.

Socialmente, o FOMO evidencia a necessidade de políticas públicas voltadas à saúde mental digital, incluindo programas de prevenção, triagem e acompanhamento psicológico.

A educação digital crítica é fundamental para desenvolver autonomia subjetiva e reduzir a dependência de validação externa.

Considerações finais

O FOMO é um fenômeno psicossocial complexo que articula dimensões subjetivas, culturais e neurobiológicas.

A psicanálise contemporânea contribui para compreender como a lógica comparativa das redes sociais reorganiza o psiquismo, intensificando estados de angústia, dependência e compulsão.

A integração entre evidências científicas e reflexão teórica é essencial para desenvolver estratégias de cuidado e educação digital crítica.

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Referências

ASSOCIAÇÃO AMERICANA DE PSIQUIATRIA. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais: DSM-5. Porto Alegre: Artmed, 2014.

PRZYBYLSKI, A. K.; MURAYAMA, K.; DEHANN, C. R.; GLADWELL, V. Fear of Missing Out: Motivational, Emotional, and Behavioral Correlates of Social Media Use. Computers in Human Behavior, v. 29, n. 4, p. 1841–1848, 2013.

TEIXEIRA, I.; SILVA, P. C.; SOUSA, S. L.; SILVA, V. C. Nomofobia: os impactos psíquicos do uso abusivo das tecnologias digitais em jovens universitários. Revista Observatório, Palmas, 2019.

VEIGA, K. J.; RIOS, H. M.; SANTOS, M. F. R. Nomofobia e dependência digital no ensino médio: impactos psicológicos e intervenções no contexto escolar. Revista Aracê, São José dos Pinhais, v. 8, n. 2, p. 1–10, 2026.

Marina da Silveira Rodrigues Almeida – CRP 06/41029

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