TRIPLA EXCEPCIONALIDADE EM ADULTOS: TEA, TDAH E ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO

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A tripla excepcionalidade, caracterizada pela coexistência de Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) e Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD), representa um perfil clínico complexo e ainda pouco estudado na população adulta.

Evidências recentes indicam que indivíduos com essa combinação apresentam maior risco de comorbidades psiquiátricas, como ansiedade, depressão, transtornos de humor e dificuldades de regulação emocional.

Este artigo discute a tripla excepcionalidade à luz da psicanálise contemporânea e da terapia cognitivo‑comportamental (TCC), destacando que a avaliação de AH/SD só pode ser realizada presencialmente com testes psicométricos padronizados (WISC e WAIS).

Também são apresentadas estimativas de prevalência e percentuais de comorbidades em adultos.

A tripla excepcionalidade exige abordagem clínica integrada, avaliação rigorosa e acompanhamento psicoterápico contínuo.

Introdução

A coexistência de TEA, TDAH e Altas Habilidades/Superdotação configura a chamada tripla excepcionalidade, um fenômeno emergente na literatura científica.

Embora estudos sobre dupla excepcionalidade já evidenciem a complexidade desses perfis, a presença simultânea de três condições amplia significativamente os desafios diagnósticos, comportamentais e emocionais (Fusaro et al., 2025).

Em adultos, a tripla excepcionalidade pode se manifestar como discrepância entre desempenho intelectual elevado e dificuldades funcionais, sociais e emocionais.

A Psicanálise Contemporânea e a TCC oferecem perspectivas complementares para compreender e tratar essas pessoas neurotípicas, que frequentemente apresentam sofrimento psíquico decorrente da tensão entre potencial e limitações.

Prevalência da Tripla Excepcionalidade na População Adulta

A literatura ainda é escassa, mas estimativas recentes permitem aproximações:

  • TEA em adultos: 1,1 a 1,5 %
  • TDAH em adultos: 4 a 5 %
  • AH/SD em adultos: 2 a 5 %

Considerando interseções estatísticas e estudos de dupla excepcionalidade, estima‑se que a tripla excepcionalidade ocorra em aproximadamente entre 0,1 e 0,3 % da população adulta (não temos porcentagens ainda com fidedignidade de pesquisas na população).

Essa prevalência reduzida explica a dificuldade de identificação e a escassez de pesquisas específicas.

Comorbidades Psiquiátricas em Adultos com Tripla Excepcionalidade

Adultos com TEA + TDAH + AH/SD apresentam maior risco de comorbidades psiquiátricas devido à interação entre neurodivergências, demandas cognitivas elevadas e dificuldades socioemocionais.

Principais Comorbidades e Percentuais Encontrados na Literatura:

  • Transtornos de Ansiedade: 40–60 %
  • Depressão maior: 30–50 %
  • Transtorno Bipolar: 5–10 %
  • Transtornos de Personalidade (especialmente borderline e esquiva): 10–20 %
  • Transtornos do Sono: 50–70 %
  • Transtornos Alimentares: 10–15 %
  • Uso problemático de tecnologia e dependência digital – adicções e compulsões: 30–45 %
  • Ideação suicida: 15–25 %

Esses percentuais são derivados de estudos sobre TEA e TDAH em adultos, extrapolados para perfis de dupla excepcionalidade, já que pesquisas específicas sobre tripla excepcionalidade ainda são raras.

A presença de AH/SD não reduz o risco de comorbidades; ao contrário, pode intensificar sofrimento psíquico devido à discrepância entre potencial e desempenho funcional.

Avaliação Psicológica: Necessidade de Aplicação de Testes De Inteligência Presencial

A identificação de Altas Habilidades/Superdotação exige avaliação presencial, com aplicação de testes psicométricos padronizados:

  • WISC‑V (crianças e adolescentes)
  • WAIS‑IV (adultos) – O instrumento mais utilizado e aceito para mensurar o funcionamento cognitivo e o Quociente de Inteligência (QI) em adultos é a WAIS-IV (Escala Wechsler de Inteligência para Adultos,4ª Edição).

Esses instrumentos:

  1. Só podem ser aplicados por psicólogos habilitados, conforme o Conselho Federal de Psicologia e SATEPSI (https://satepsi.cfp.org.br/lista_teste_completa.cfm)
  2. Exigem controle rigoroso de ambiente, tempo e estímulos.
  3. Dependem de observação clínica direta, essencial para interpretar estratégias cognitivas e comportamentos.
  4. Não possuem equivalentes válidos online, portanto não é possível avaliar AH/SD remotamente.

A avaliação da tripla excepcionalidade deve integrar:

  • Testes cognitivos (WISC/WAIS),
  • Testes de Atenção e Funções Executivas,
  • Testes de TEA e TDAH,
  • Testes de Personalidade,
  • Testes de Psicopatologias,
  • Entrevistas clínicas,
  • Histórico pessoal (anamnese e rastreio), escolar e ocupacional,
  • Análise psicodinâmica.

A Perspectiva da Psicanálise Contemporânea

A Psicanálise Contemporânea compreende a tripla excepcionalidade como expressão de um funcionamento psíquico singular, marcado por:

  • Conflitos entre capacidades cognitivas elevadas e dificuldades de simbolização;
  • Angústias relacionadas à inadequação social (TEA);
  • Impulsividade e instabilidade afetiva (TDAH);
  • Idealizações, perfeccionismo exacerbado, e exigências internas intensificadas (AH/SD).

O sujeito pode vivenciar:

  • Sensação de não pertencimento,
  • Sobrecarga cognitiva,
  • Dificuldade de lidar com a falta e com o tempo subjetivo,
  • Sofrimento decorrente da discrepância entre potencial e realidade.
  • Aceleração do pensamento e criatividade,
  • Exaustão,
  • Isolamento social,
  • Crises de raiva,
  • Instabilidade emocional e sofrimento subjetivo.

A Psicanálise Busca Trabalhar:

  • Angústias,
  • Conflitos internos, traumas, narcisismo, tempo subjetivo, instabilidade emocional, perfeccionismo e autoexigência,
  • Fluidez criativa saudável,
  • Estabelecer vínculos afetivos seguros,
  • Modos de relação com o outro,
  • Construção de sentido subjetivo,
  • Sustentar frustração e flexibilidade cognitiva,
  • Sexualidade e erotismo,
  • Identidade de gênero LGBTQIAP+,
  • Burnout Autista,
  • Reduz uso de camuflagem e scripts sociais,
  • Construção, sustentação e integração da alteridade e verdadeiro self.

Terapia Cognitivo‑Comportamental (TCC) na tripla excepcionalidade

A TCC complementa a psicanálise ao oferecer estratégias práticas e estruturadas para:

  • Regulação emocional,
  • Manejo da impulsividade,
  • Organização de rotinas,
  • Redução de ansiedade,
  • Reestruturação de crenças disfuncionais,
  • Desenvolvimento de habilidades socioemocionais.

Evidências mostram que:

  • TCC reduz sintomas de TDAH em adultos em 30–40 %,
  • Melhora ansiedade em 50–60 %,
  • Reduz depressão em 40–55 %.

Para TEA, adaptações são necessárias, incluindo:

  • Psicoeducação,
  • Treino de habilidades socioemocionais,
  • Redução do uso camuflagem e scripts sociais,
  • Estratégias de previsibilidade e rotina.

A combinação entre TCC e psicanálise é considerada uma abordagem integrativa eficaz.

Considerações finais

A tripla excepcionalidade em adultos é um fenômeno altamente complexo que envolve interações entre neurodivergências, potencial elevado e vulnerabilidades emocionais.

A avaliação de AH/SD só pode ser realizada presencialmente com testes WISC e WAIS, e o tratamento clínico deve integrar psicoterapia, como Psicanálise Contemporânea e ou Terapia Cognitivo‑ComportamentalTCC.

A prevalência estimada é baixa, mas as comorbidades psiquiátricas são frequentes e exigem acompanhamento contínuo.

A Psicóloga, Terapeuta Cognitiva Comportamental, Psicanalista Psicodinâmica Contemporânea e Neuropsicóloga Marina da Silveira Rodrigues Almeida (CRP 06/41029) atende em plataforma segura como o Consultório Virtual Seguro® Casa dos Insights, plataforma de Telessaúde segura e criptografada, reafirma a importância do vínculo humano, da escuta qualificada e da proteção ética integral dos dados sensíveis dos clientes.

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Referências

ASSOCIAÇÃO AMERICANA DE PSIQUIATRIA. DSM‑5 – Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. Porto Alegre: Artmed, 2014.

FONSECA, B. B. V.; MISSAWA, D. D. A. Altas habilidades/superdotação e TEA: reflexões sobre o processo de avaliação neuropsicológica de um caso de dupla excepcionalidade. Construção Psicopedagógica, São Paulo, 2026.

FUSARO, L. H.; NAKANO, T. C.; NEGREIROS, J. R.; CHNAIDER, J. Dupla excepcionalidade: revisão da produção científica nacional e internacional. Revista Educação Especial, Santa Maria, v. 38, n. 1, 2025.

OGEDA, C. M. M.; OMOTE, S. Evidências de validade da escala para identificação do estudante duplamente excepcional – altas habilidades com TDAH. Revista Brasileira de Educação Especial, Marília, 2026.

Marina da Silveira Rodrigues Almeida – CRP 06/41029

Psicóloga Clínica, Escolar e Neuropsicóloga, Especialista em pessoas Autistas (TEA), TDAH, Neurotípicos e Neurodiversos.

Psicanalista Psicodinâmica e Terapeuta Cognitiva Comportamental

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