O FASCÍNIO POR TELAS, A CULTURA DA ALTA PERFORMANCE E O NARCISISMO EXACERBADO: UMA ANÁLISE PSICANALÍTICA CONTEMPORÂNEA

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Este artigo propõe uma reflexão aprofundada sobre três fenômenos interligados que marcam a subjetividade contemporânea: o fascínio por telas, a exigência de alta performance e a exacerbação do narcisismo.

A partir de uma abordagem psicanalítica contemporânea e fundamentada em evidências científicas, são discutidos os impactos desses elementos na saúde mental de jovens e adultos, com destaque para os efeitos positivos e negativos, os cuidados clínicos necessários e as indicações terapêuticas pertinentes.

Introdução

Vivemos em uma era marcada pela hiperconectividade, pela valorização da produtividade extrema e pela exposição constante à imagem.

O uso intensivo de dispositivos digitais, como smartphones, tablets e computadores, tornou-se parte integrante da vida cotidiana, especialmente entre jovens e adultos. Paralelamente, observa-se uma crescente pressão por desempenho acadêmico, profissional e social, que se articula com a construção de identidades centradas na aparência e na validação externa.

Esses fatores contribuem para o fortalecimento de traços narcisistas, muitas vezes em detrimento da construção de vínculos afetivos profundos e da elaboração simbólica das experiências.

O Fascínio por Telas e Seus Impactos Psíquicos

O uso excessivo de telas tem sido associado a uma série de efeitos psicológicos e comportamentais. Estudos apontam que a exposição prolongada a dispositivos digitais pode comprometer funções cognitivas, como atenção, memória e capacidade de abstração. Além disso, há impactos significativos no sono, no humor e na regulação emocional.

Entre adolescentes, o uso de redes sociais e jogos online pode gerar dependência, isolamento social e dificuldades na construção da identidade. Em adultos, observa-se uma tendência ao escapismo digital, que funciona como defesa contra angústias internas, mas que pode agravar quadros de ansiedade e depressão.

A Cultura da Alta Performance e Seus Efeitos Subjetivos

A exigência de alta performance é um dos pilares da sociedade neoliberal contemporânea. Desde a infância, indivíduos são estimulados a alcançar metas, superar limites e apresentar resultados.

Essa lógica produtivista invade o campo da subjetividade, gerando sentimentos de inadequação, culpa e exaustão.

Na clínica, é comum encontrar pacientes que se sentem constantemente insuficientes, mesmo diante de conquistas objetivas. A comparação social, intensificada pelas redes digitais, reforça a sensação de fracasso e alimenta o ciclo de autoexigência.

Em indivíduos com TDAH, essa pressão pode agravar sintomas de desatenção e impulsividade, além de comprometer a autoestima.

A Exacerbação do Narcisismo na Era Digital

A psicanálise contemporânea compreende o narcisismo como uma estrutura necessária à constituição do eu, mas que pode se tornar patológica quando há dificuldade de reconhecer o outro como sujeito.

Na era digital, observa-se uma exacerbação de traços narcisistas, marcada pela busca incessante por likes, seguidores e validação externa.

Esse fenômeno é especialmente visível em jovens, que constroem suas identidades a partir de imagens idealizadas e performáticas. A dificuldade de lidar com frustrações, críticas e rejeições revela uma fragilidade narcísica que demanda atenção clínica.

Em adultos, o narcisismo exacerbado pode se manifestar como rigidez, intolerância à vulnerabilidade e dificuldade de estabelecer vínculos afetivos genuínos.

Pontos Positivos e Potenciais das Telas

Apesar dos riscos, é importante reconhecer os aspectos positivos do uso de telas:

  • Acesso à informação: Dispositivos digitais permitem o acesso a conteúdo educativos, culturais e terapêuticos.
  • Inclusão social: Para pessoas com autismo ou TDAH, as tecnologias podem facilitar a comunicação e promover autonomia.
  • Ferramentas terapêuticas: Aplicativos de meditação, organização e monitoramento emocional têm sido utilizados como suporte clínico.

Cuidados Necessários

Para promover um uso saudável das tecnologias, recomenda-se:

  • Estabelecimento de limites: Definir horários e contextos para o uso de telas, especialmente em crianças e adolescentes.
  • Educação digital: Desenvolver o pensamento crítico sobre os conteúdos consumidos e compartilhados.
  • Observação clínica: Identificar sinais de dependência, retraimento social e desregulação emocional.

Indicações Terapêuticas

A abordagem terapêutica deve considerar a singularidade de cada sujeito e os contextos em que os sintomas se manifestam. Algumas indicações incluem:

  • Psicoterapia psicanalítica: Favorece a elaboração simbólica das experiências e o fortalecimento do eu diante das exigências externas.
  • Intervenções integrativas: Combinar técnicas comportamentais, psicoeducação e recursos digitais pode ser eficaz em casos de TDAH e autismo.
  • Grupos terapêuticos: Espaços de escuta coletiva promovem o compartilhamento de vivências e a construção de vínculos reais.

Considerações Finais

A sociedade contemporânea impõe desafios significativos à saúde mental, especialmente no que diz respeito ao uso de tecnologias, à pressão por desempenho e à construção de identidades.

A exacerbação do narcisismo, embora compreensível nesse contexto, exige uma escuta clínica sensível e atualizada.

Cabe aos profissionais da saúde mental promoverem intervenções que favoreçam o equilíbrio entre o uso das tecnologias e o desenvolvimento emocional saudável, respeitando a singularidade de cada sujeito.

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Referências

[1] LAGE, D. L. O. et al. Efeitos psicológicos decorrentes do uso excessivo de telas em crianças e adolescentes. Revista Esfera Humanas, v. 10, n. 1, 2025. Disponível em: Multivix. Acesso em: 11 out. 2025.

[2] MORATTI, E. N. O uso de telas na adolescência: um panorama dos principais impactos no desenvolvimento e bem-estar. Revista FT, v. 29, abr. 2025. Disponível em: Revista FT. Acesso em: 11 out. 2025.

[3] FOCO PUBLICAÇÕES. O impacto do uso excessivo de telas no desempenho acadêmico e saúde mental. Revista FOCO, 2025. Disponível em: FOCO. Acesso em: 11 out. 2025.

Marina da Silveira Rodrigues Almeida – CRP 06/41029

Psicóloga Clínica, Escolar e Neuropsicóloga, Especialista em pessoas adultas Autistas (TEA), TDAH, Neurotípicos e Neurodiversos.

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